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Com o concerto CANÇÕES FRANCESAS o Quarteto Colonial apresenta um panorama
das obras vocais "a capella", que marcaram a polifonia francesa, da
renascença ao século XX.
Do Renascimento, considerado como o período de ouro na produção de música
coral a capella, buscamos dois compositores que representam a Chanson
Parisian - freqüentemente escutada, à época, na corte e provavelmente nas
ruas de Paris - além de Roland de Lassus (ca 1532 -1594), cuja
versatilidade e expressividade colocam-no entre as figuras mais
significativas da Renascença. Lassus escreveu mais de 2.000 obras, em
quase todos os gêneros correntes à época.

The Eiffel Tower -
Georges Seurat - 1889
O
primeiro compositor a se notabilizar pela escrita da Chanson Parisian foi
Claudin de Sermissy (ca 1490-1562), que além de cantor da Sainte-Chapelle
em Paris, tornou-se membro da Capela Real Francesa. Outro compositor que
se destacou no cenário parisiense foi Clément Janequin (ca 1485-1558). As
suas 286 canções hoje conhecidas, revelam o poder que ele possuía em
captar os sons de seu cotidiano e transportá-los para a sua música.
A partir do final do século XVI, a escrita para coral a capella
experimentou o início de um longo processo de declínio, do qual só iria se
recuperar parcialmente em meados do século XIX. As razões para tal
acontecimento são muitas, mas primordialmente se deveu à atenção que as
vozes solistas e os conjuntos instrumentais passaram a receber dos
compositores.
Por volta de 1840, a canção
francesa emergiu como resultado de diversos fatores, sendo talvez o
mais importante a influência do lied
alemão. Na década seguinte, entrou em uma nova fase, libertou-se
gradativamente das influências germânicas assumindo uma característica pós
romântica. O retorno à forma polifônica se deu apenas no início do século
XX, pelas mãos de compositores como Claude Debussy (1862-1918), Maurice
Ravel (1875-1937) e pouco depois com Francis Poulenc (1899-1963) e Darius
Milhaud (1892-1974) entre outros.
Tanto Debussy
quanto Ravel escreveram, cada um, apenas um ciclo de três canções
polifônicas a capella, mas apesar da singularidade destas perante o
restante de suas obras, fizeram reaparecer um gênero musical francês
adormecido no qual a influência renascentista é nítida.
De uma geração posterior, Poulenc e Milhaud, também empenhados em criar
uma música autenticamente francesa, fizeram parte do renomado Grupo dos
Seis, dedicado a suprimir o elemento remanescente de Romantismo e
Impressionismo na música francesa. O poeta Jean Cocteau resumiu o programa
do Grupo nos seguintes termos: "Basta de nuvens, de vagas de aquários de
ondinas e de perfumes da noite; precisamos é de uma música na terra, uma
música de todos os dias." A composição de ambos, inicialmente leve e
festiva aos poucos foi se transformando e ganhando peso e profundidade.
Ambos, compositores de extrema fecundidade, nos legaram também obras
sacras de grande refinamento.
Por este motivo o recital , além de
apresentar canções francesas marcantes deste compositores, também mostra o
lado sacro com salmos e motetos de extrema beleza.
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Claudin DE Sermisy (1490-1562)
Tant Que Vivrai
Clement Janequin (1485-1558)
Le Chant
des oiseaux
ROLAND DE Lassus
(1532 1594)
Mon coeur se recommande
a vous
Claude Debussy
(1862-1918)
Dieu! Quil la fait bom
regarder! (extraído das Três Canções)
Francis Poulenc (1899
1963)
Margoton va t'a l'iau (das Oito Canções
Francesas)
Pilons l'orge (das Oito Canções
Francesas)
Ah! Mon beau laboureur (das Oito Canções
Francesas)
Darius Milhaud (1892
1974)
Deux Poèmes extraits de
lAntologie Nègre
I La Danse des
Animaux
II Chant de la mort
Francis Poulenc (1899
1963)
Salve Regina
O magnum mysterium (dos Quatro Motetos de
Natal)
Hodie Christus natus est (dos Quatro
Motetos de Natal)
Darius Milhaud (1892
1974)
Psaume 51 (Vulgate 50) (dos Trois Psaumes
de David)
Psaume 150 (dos Trois Psaumes de David)
Maurice Ravel
(1875 - 1937)
Nicolette (extraído das
Três Canções)
Ronde (extraído das
Três Canções)
Clement Janequin (1485-1558)
Voulez ouyr les Cris de
Paris
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