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O Quarteto Colonial apresenta-se com dois programas de concertos intitulados "A MÚSICA DA REAL CAPELA DO RIO DE JANEIRO", ambos com aproximadamente uma hora de duração, apresentando peças do mais importante centro de produção musical das Américas no período da chegada ao Rio de Janeiro da Família Real Portuguesa (1808). As obras são todas do Padre José Maurício Nunes Garcia – expoente máximo de nossa música colonial. O primeiro apresenta os motetos "a capella" do Padre Mestre, e o segundo possui acompanhamento de Baixo Contínuo (Cravo e Cello).

 

Durante os concertos os cantores apresentam passagens da vida do Padre de origem humilde, negro, pai de cinco filhos e que se tornou Mestre da Capela Real numa época de escravidão.

 

 

Programa I

"a capella"

 

 

 

 

 

 

Motetos para a Semana Santa

 

Gradual para Domingo de Ramos

In Monte Oliveti

Domine Tu Mihi Lavas Pedes

 

Libera-me

(Canto exequial encontrado no sótão da

Catedral da Sé de Mariana/MG)

 

Motetos para quarta-feira de Cinzas

 

Immutemur Habitu

Inter Vestibulum

 

Motetos para a Semana Santa

 

Domine Jesu

Improperium Expectavi

Popule Meus

Crux Fidelis

Felle Potus

Sepulto Domino

Judas Mercator Pessimus

 

 

Programa II

acompanhado de baixo contínuo (Cravo e Cello)

 

 

 

Te Deum Para as Matinas da Assunçâo (1801) - CPM 91

 

Te Deum Laudamus

Te ergo quae sumus

Aeterna fac cum sanctis tuis

In te Domine

 

Vesperas de Nossa Senhora (1797) - CPM 178 e CPM 16

 

1o  Psalmo: Dixit Dominus

2o  Psalmo: Laudate Pueri

3o  Psalmo: Laetatus Sum

4o  Psalmo: Nisi Dominus

5o  Psalmo: Lauda Jerusalém

Magnificat

 

Missa de São Pedro de Alcântara (1808) - CPM 104

 

Kyrie

Gloria

 

 

José Maurício Nunes Garcia

 

 

 

 

 

Pe. José Maurício Nunes Garcia (1767- 1830). Nascido no Rio de Janeiro de onde jamais saiu, foi filho de português com uma escrava. Mestre da Capela Real, ele surge na história brasileira como o músico mais importante do período colonial. Compositor dos mais prolíficos de seu tempo, de seu repertório constam inúmeros motetos, missas, requiems, matinas, obras orquestrais, graduais, etc. Somente Salmos, constam por volta de 90 compostos de maneira independentes ou relacionados à Vésperas. Músico muito importante de sua época, apesar de nunca ter saído do Brasil, foi um grande precursor e fomentador do movimento musical de sua época. Muito conhecido mesmo em vida, suas obras eram também noticiadas na Europa (ex: Gazeta de Lisboa noticia em 10 de maio de 1791, Te DEUM de sua autoria cantado pelos membros da Irmandade de Sta Cecília).

 

José Maurício Nunes Garcia, (Rio de Janeiro, 20.09.1767-18.04.1830 Rio de Janeiro, ), organista e compositor brasileiro,  filho de gente de cor de condição humilde, perdeu o pai aos 5 anos. Desde muito novo manifestou invulgar inclinação para a música, mas, além do solfejo aprendido com o pardo de nome Salvador José, a sua educação nesta arte parece ter sido inteiramente a de um autodidata.

 

Começa a compor aos 16 anos. A sua mais antiga obra conhecida é uma antífona, Tota pulchra est Maria. Para prover ao seu sustento, lecionava, cantava nas igrejas e tocava em sessões musicais particulares. O único instrumento de que nesta altura dispunha era um violão, embora mais tarde viesse a afirmar-se cravista e organista de mérito. Distinguia-se também como magnifico improvisador. em 1790 compõe uma Sinfonia fúnebre, para orquestra e em 7191 um Te Deum, destinado a celebrar o regresso à Europa do vice-rei Luís de Vasconcelos. em 1972 recebe ordens, o que lhe permite consagrar-se com mais continuidade à composição, e em 1798 é nomeado mestre de capela da Sé-Catedral do Rio de Janeiro, obtendo no mesmo ano licença para pregar, ministério que exerceu com grande brilho. D. João VI, chegado ao Brasil e, 1808 e aqui instalado na qualidade de príncipe regente de Portugal, agrade-se do talento de pregador e de músico P. José Maurício e por mais de uma vez lhe demonstra o seu apreço e a sua consideração. Instala-o na sua corte, nomeia-o inspetor da capela real (na qual havia sido incorporado a antiga capela da Sé) e defendeu- mesmo das manobras do ciumento e prepotente Marcos Portugal, que me 1811 havia vindo juntar-se à corte e fora nomeado mestre da capela real, bem como diretor da música da corte.Foi este o período de mais intensa produção do compositor. Infelizmente, da maioria das obras escritas por esta altura só há noticias, havendo-se perdido as respectivas partituras. A febre com que compõe provoca-lhe o esgotamento cerebral que acusa nos últimos tempos da sua vida. Alias, depois do regresso de D. João VI a Portugal, em 1821, José Maurício, apagado o estimulador brilho da corte do príncipe regente, pouco compõe.

 

Padre José Maurício Nunes Garcia é, historicamente a primeira figura de relevo da musica brasileira. O que se conhece da sua obra encontra-se na sua totalidade em manuscrito. O núcleo mais importante destes manuscritos acha-se na biblioteca da Escola Nacional de Musica do rio de Janeiro. 

 

(Fonte: Dicionário de Música Edições Cosmos)